O turismo será o principal motor do crescimento do setor do vinho em Portugal nos próximos anos. Catherine Dayot, de Bordéus, e Clay Gregory, da Califórnia, vão contar aos empresários portugueses como as empresas europeias e americanas se prepararam para vender aos enoturistas. Será no dia 12, em Lisboa, na AESE Business School.

Nos próximos anos o negócio do vinho irá crescer por uma via inesperada: a porta das quintas e das adegas. Com o investimento que tem sido feito no enoturismo pelo mundo fora, os estudos preveem que as vendas à porta das instalações aumentem de valor entre 30% e 50% nos próximos cinco anos, em todos os mercados, incluindo Portugal. Esta subida dará às empresas do setor uma margem adicional significativa, para além de qualificar a imagens das respetivas marcas, o que é considerado “muito relevante” por 96% dos produtores portugueses.

Estes são dados recolhidos pelo Projeto CV3 – Criação de Valor na Vinha e no Vinho, uma parceria da AESE Business School e da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) para a realização de estudos e eventos sobre a economia do vinho em contexto académico (ver anexo “O Projeto CV3”). Para discutir estes dados e ouvir alguns dos principais nomes do enoturismo nos Estados Unidos e na Europa (ver anexo “Programa Seminário”), realiza-se no dia 12 de março na AESE, em Lisboa, o seminário “Enoturismo: Como Crescer e Competir?”.

“O enoturismo posiciona-se como uma vertente importante da atividade da indústria do vinho e contribui para criar valor através de três pilares complementares”, afirma Ramalho Fontes, presidente da AESE e um dos mentores do Projeto CV3: “A afirmação de uma oferta turística diferenciada, o reforço da geração de valor no sector da vinha e do vinho e o fortalecimento de um motor de desenvolvimento económico e de ordenamento do território”.

Para além da AESE e da UTAD, o Projeto CV3 envolve o Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária – INIAV, a ADVID – Associação Desenvolvimento da Viticultura Duriense e a consultora PricewaterhouseCoopers – PwC Portugal. O projeto tem como objetivo estimular as exportações de vinho português, contribuindo para o aumento da competitividade das empresas nacionais no mercado global.

Segundo a secretária de Estado do Turismo, Ana Mendes Godinho, em 2018 vieram a Portugal 2,5 milhões de turistas atraídos por Enoturismo (face a 2,2 milhões em 2016), sendo que “80% dos que nos visitam afirmaram que a nossa gastronomia e os nossos vinhos os farão voltar”. Se Portugal acompanhar a evolução verificada noutras regiões do mundo, é previsível que nos próximos anos os turistas enófilos aumentem os seus consumos nos enoturismos portugueses em cerca de 20%.

“O potencial do enoturismo em Portugal é tão expressivo que, no âmbito do Projeto CV3, fizemos questão que os agentes do mercado português possam ouvir os diagnósticos mais atuais das regiões de Bordéus, na Europa, e de Nappa Valley, nos Estados Unidos”, afirma Ramalho Fontes. “Iremos trazer também especialistas de outras áreas deste ‘cluster’, como a logística, que será fundamental para transportar para casa dos turistas estrangeiros as garrafas de vinhos que eles comparem em cada quinta”.

O seminário “Enoturismo: Como Crescer e Competir?” inicia-se na AESE, em Lisboa, às 14:30 de 12 de março. Os principais oradores são Damià Serrano, da Universidade de Barcelona, que falará sobre “O Enioturismo 4.0”. O presidente da Visit Nappa Valley Organization, Clay Gregory, falará a partir da Califórnia (através de transmissão vídeo) sobre “A Região Vitivinícola a Trabalhar para Um Objetivo Comum”. A francesa Catherine Leparmentier Dayot, diretora-executiva da Great Wine Capitals Global Network, irá descrever “A Experiência Europeia do Enoturismo”.